Lesões na medula espinhal costumam trazer consequências graves e permanentes — como paraplegia (quando há perda de função dos membros inferiores) ou tetraplegia (quando há comprometimento desde o pescoço para baixo). Essas condições afetam profundamente a vida dos pacientes, limitando mobilidade, independência e qualidade de vida. CNN Brasil
Recentemente, um avanço promissor surgiu do Brasil: um medicamento inédito chamado polilaminina, desenvolvido pelo laboratório Cristália em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que em testes já demonstrou devolver movimentos a pessoas com lesões medulares recentes. CNN Brasil
🧬 O que é a polilaminina e como ela age
- A polilaminina é uma proteína que ocorre naturalmente no corpo durante o desenvolvimento do sistema nervoso.
- Ela pode ser obtida, nesse projeto, a partir de placenta humana.
- A função principal observada é regenerar células da medula espinhal danificadas, permitindo a recuperação total ou parcial da mobilidade.
- Uma grande vantagem destacada pelos pesquisadores: comparada à terapia com células-tronco, a polilaminina teria menor imprevisibilidade no efeito, o que é um risco dessas terapias celulares.
⚙️ Resultados até agora
- Em estudos experimentais, cerca de 10 pacientes recuperaram movimentos após uso da polilaminina. Entre eles estão: um jovem de 31 anos que sofreu acidente de trânsito; uma mulher de 27 anos vítima de queda; e um homem de 33 anos baleado.
- Observou-se que os efeitos são mais expressivos se o medicamento for aplicado até 24 horas após o trauma. Mas ainda assim há benefícios também em lesões mais antigas.
- O protocolo usado inclui uma dose única do medicamento mais sessões de fisioterapia como parte da reabilitação.
🧪 O que falta: segurança, aprovação e aplicação clínica
- Já está sendo aguardada autorização da ANVISA (no Brasil) para iniciar os estudos da Fase 1 com mais pacientes (cinco novos), para garantir eficácia e segurança do tratamento.
- O laboratório Cristália, além de UFRJ, vai contar com a colaboração do Hospital das Clínicas da USP para as cirurgias, e da AACD para a reabilitação.
🌍 Importância e implicações
Este desenvolvimento é promissor por vários motivos:
- Inovação brasileira – trata-se de um avanço produzido no Brasil, com ciência nacional, o que pode favorecer custos menores, acesso mais amplo e independência tecnológica.
- Alternativa mais segura – nas terapias com células-tronco, há preocupações com reações adversas, rejeições ou efeitos imprevisíveis. Uma proteína como a polilaminina pode oferecer um caminho com menos variáveis desconhecidas.
- Impacto social – para quem sofre com lesões medulares recentes, as limitações são enormes (mobilidade, trabalho, saúde mental, dependência). Recuperar movimentos mesmo parcialmente pode mudar radicalmente a vida dessas pessoas.
⚠️ Limitações e cautelas
- Até o momento, os resultados foram em estudos experimentais e em número limitado de pacientes. É cedo para dizer que o tratamento será eficaz para todos os casos.
- A aplicação ideal parece ser logo após o trauma — há janelas de tempo que favorecem mais o resultado. Para lesões antigas, a recuperação pode ser menor ou mais lenta.
- Como qualquer novo medicamento, há a necessidade de acompanhamento longo para possíveis efeitos adversos ainda não observados.
- Custos, logística de reposição e treinamento da equipe de saúde para aplicação e reabilitação também são questões práticas que terão de ser resolvidas.
🔮 Perspectivas futuras
- Avanço para ensaios clínicos, com amostras maiores, para confirmar segurança e eficácia.
- Estabelecimento de protocolos clínicos – definir quem será elegível, quando aplicar, como monitorar, fisioterapia ideal.
- Potencial aplicação em casos de lesões medulares crônicas, se os resultados permitirem, ampliando o leque de pacientes beneficiados.
- Possível inspiração para terapias semelhantes no exterior, ou colaboração internacional para acelerar o desenvolvimento.
Conclusão
A polilaminina representa uma luz de esperança para quem sofre com lesões medulares — paraplegia ou tetraplegia. Ainda há um caminho a percorrer rumo à aprovação, aplicação em larga escala, e entendimento completo dos benefícios e riscos. Mas já estamos diante de um marco científico importante: algo criado no Brasil, capaz de devolver movimento a quem acreditava que suas possibilidades haviam sido encerradas.
Se você ou alguém que conhece está nessa situação, vale acompanhar de perto os próximos passos: pesquisas clínicas, publicações científicas, aprovação da ANVISA — porque cada avanço representa uma chance concreta de recuperar algo precioso: autonomia, dignidade, liberdade de se mover.
Fonte: CNN Brasil

